Revista ÉPOCA - Novo Espiritismo

25/08/2012 23:17

Revista ÉPOCA - Novo Espiritismo

 

Assunto: PARA CONHECIMENTO GERAL> Revista Época: O Novo Espiritismo


 


Muito interessante a materia e um alento ver como a Doutrina Espirita tem crescido

e esta sendo cada vez mais respeitada.


 


 

 

A religião assume uma face moderna e cresce entre os jovens de classe média. Maior

país espírita do mundo, o Brasil já exporta a Doutrina para os Estados Unidos


 

Martha Mendonça


 


 


 


 


 

FÉ HERDADA


 

A atriz Cleo Pires chegou ao Espiritismo por influência do pai, Fábio Junior, e dos avós maternos


 

O que explica a adesão crescente da classe média ao Espiritismo ?

Quem responde é o sociólogo Flávio Pierucci, na Universidade de

São Paulo. autor de A Realidade Social das Religiões no Brasil:

"O Espiritismo é uma religião confortável. Ela suavisa o

drama da morte e dá respostas lógicas ao que acontece de

bom ou de ruim. Sem falar que podemos levar créditos ou débitos

para outras vidas”.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Piericci considera que há três razões pelas quais "o novo Espiritismo" atrai tantos adeptos entre a classe média:


 

  1. A Doutrina Espírita se baseia num conjunto de idéias muito bem sistematizado e, portanto, passível de aceitação nacional.
  1. Ela é flexível e acolhe gente de todas as religiões.
  1. A forma original da religião fundada por Kardec de lidar com a questão da morte.

Para entender cada um desses motivos, é preciso fazer um breve histórico da religião espírita.

As idéias que alicerçam o Espiritismo foram sistematizadas pelo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon em 1804. Ele passaria para a história sob o pseudônimo de Allan Kardec - que seria o nome de um druida, supostamente sua encarnação anterior-. Nascido em uma família de magistrados católicos, ele decidiu seguir também o caminho da educação e sempre lutou pela democratização do ensino público na França. Em 1854, kardec se interessou pelo fenômeno então conhecido como "mesa giratória". Nos salões elegantes, após os saraus, gente da alta sociedade costumava se sentar em torno dessas mesas para, segundo acreditavam, dialogar com os espíritos. Utilizando recursos supostamente mediúnicos dos presentes, as entidades desencarnadas se manifestariam. Segundo os historiadores, o fenômeno foi a coqueluche da sociedade francesa de 1853 a 1855. Os eventos das mesas giratórias ganharam dezenas de reportagens dos jornais europeus.

Kardec mergulhou nesse universo por três anos, até estruturar uma doutrina que, segundo ele, unia os conhecimentos científico, filosófico e religioso. Ele escreveu sua obra básica, O Livro dos Espíritos, em 1857. O livro é resultado dos diálogos que Kardec afirma ter estabelecido com os espíritos desencarnados nas diversas reuniões mediúnicas de que participou. Kardec não dizia ser médium. Afirmava valer-se de um método científico para conferir a veracidade dos diálogos. Dizia ouvir a voz de diferentes espíritos por meio de diferentes médiuns para cotejar as versões. A obra se estutura em 1.019 tópicos, no estilo pergunta e resposta. O Livro dos Espíritos serviu de base para mais quatro obras de Kardec: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Como há outras religiões espiritualistas - que creêm na vida além da matéria -, criou-se a expressão "Kardecismo" para diferenciar  a doutrina de Kardec das outras. O termo, porém, é considerado errôneo pela Federação Espírita Brasileira (FEB). Chamar o espiritismo de kardecismo é considerado uma redundância. Kardec morreu em 1869, aos 64 anos, e seus livros estão para o Espiritismo como o Novo Testamento para os cristãos, a Torá para os judeus e o Alcorão para os mulçumanos.

Quando Kardec codificou sua doutrina, deu-lhe um revestimento científico. É essa roupagem racional o primeiro motivo para o sucesso do Espiritismo no mundo moderno.

"Razão e fé não estão em polos opostos. Cremos em algo lógico, não místico", diz o presidente da Federação Espírita Brasileira, Nelson Masotti.

"Seria difícil seguir uma religião que não estimula a discussão e o conhecimento", diz o engenheiro carioca Ricardo Danziger, de 47 anos, filho de mãe católica, e pai judeu. Toda a sua família - a mulher, Ana Cristina, e os filhos adolescentes, Ricardo e Júlia - professa a religião espírita e frequentam o mesmo centro, o Lar Teresa, no bairro carioca de Copacabana.


 

Ao contrário do que se possa imaginar, quem entra num centro espírita não vai encontrar médiuns se contorcendo ou sessões de exorcismo coletivo. Centros espíritas são, mais que tudo, espaços de leitura, discussão e prece. Nas reuniões dos espíritas, normalmente há primeiro uma leitura de um dos livros de Kardec. Depois uma palestra em que o participante do centro apresenta suas interpretações sobre algum ponto da doutrina. Por fim, há o passe, momento em que o médium (não necessariamente incorporado) diz trocar energia com os presentes. Ao fundo, oração coletiva e, em muitos casos, luz mais fraca.


 


 


 

 

TOLERÂNCIA


 

Raul Teixeira é considerado pelos espíritas um dos maiores médiuns brasileiros.

"Quem se degladia com outras religiões mostra falta de maturidade na fé. Quem não crê o suficiente tenta convencer os outros para convercer a si próprio", diz.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

A segunda razão para o crescimento do Espiritismo é a flexibilidade da doutrina. Avessos a fundamentalismos, hierarquias, sacerdotes, altares e ídolos, os espíritas acolhem pessoas de todas as religiões. Não há exigências na atitude, no vestuário ou cobrança financeira. Adeptos de outras religiões costumam se envolver com o Espiritismo sem necessariamente  abandonar as crenças originais. "Somos avessos ao fundamentalismo. Dai ser tão importante o estudo e a leitura", afirma o carioca Raul Teixeira, considerado pela Federação Espírita Brasileira um dos maiores médiuns do país.

Uma pesquisa realizada pela Federação Espírita Brasileira em São Paulo e no Rio Grande do Sul mostra que apenas um em cada quatro frequentadores de centros se considera oficialmente espírita. "Não temos dogmas, santos, hierarquia. Há respeito por todas as crenças", diz o economista carioca André Menezes Cortes, de 36 anos. nascido em uma família católica, hoje ele é adepto da doutrina de Kardec.


 

A terceira e principal razão para que o Espiritismo tenha tantos adeptos é a maneira como a religião fundada por Kardec lida com a questão da morte. Para os espíritas, ela não é o fim de tudo. É possivel ter outras vidas e nelas resolver assuntos pendentes de encarnações passadas. É algo semelhante ao que os budistas costumam chamar de carma, uma espécie de "preço" para nas diversas vidas rumo à evolução espiritual. Para outros cristãos, a vida é uma chance única: resolva tudo agora e salvará sua alma - ou arderá no inferno. O Budismo e o induismo admitem a reencarnação. Só o Espiritismo, no entanto, diz possibilitar a comunicação entre "encarnados" e "desencarnados". Segundo os espíritas, é possível trocar mensagens orais ou escritas por meio dos médiuns - pessoas que funcionam como antenas entre os dois mundos.


 


 

CONVERSÃO


 

O economista carioca André Menezes Cortes, de 36 anos, nasceu numa família católica. Hoje se diz espírita. "Não temos dogmas, santos, hierarquia, e há respeito por todas as crenças", afirma.


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Chico Xavier foi o maior deles. Escreveu mais de 400 livros. Mulato pobre, nascido em Pedro Leopoldo, no interior de Minas Gerais, Chico foi perseguido e investigado desde os anos 30, quando sua fama se alastrou pelo país. Nessa época, ele dizia psicografar textos de escritores e poetas mortos, que guardavam, para espanto geral, incrível semelhança com o estilo original. nas décadas que se seguiram, Chico se tornou referência no mundo do Espiritismo. Isso resultou em verdadeiras romarias a sua casa, em Uberaba, em Minas, para onde se mudou em 1959 e onde morou até morrer, aos 92 anos, em 2002.


 

As obras de Chico Xavier trouxeram imenso consolo ao taxista carioca Gilberto da Silva Netto, de 65 anos. Há algumas semanas, as noites de Gilberto tem sido dedicadas à leitura de Jovens no Além, escrito por Chico Xavier em 1975. O livro tras mensagens supostamente psicografadas por pessoas que perderam a vida cedo, em circunstâncias trágicas. Gilberto é pai de Rodrigo, o Nettinho, guitarrista da banda Detonautas, assassinado num assalto no início de junho no Rio. Católico de formação. Gilberto se define como cético sobre qualquer religião. Mas diz ter se aproximado do espiritismo em busca de respostas.


 


 


 


 


 


 

O MITO


 

Chico Xavier é uma referência para os espíritas do mundo inteiro. Sua imensa popularidade é uma das razões do crescimento do espiritismo no Brasil.


 


 

"Quero acreditar que meu filho está bem, em algum lugar", diz o taxista. Ele também perdeu a mãe de seus filhos, de câncer, há mais de 20 anos. Sua atual mulher, a professora Eliane Perez, que criou Rodrigo desde os 9 anos, é espírita desde jovem e procura acalmar a família depois da tragédia. "Tenho explicado a todos que nada é por acaso. E que algum dia vamos todos nos reencontrar, de alguma maneira", afirma Eliane.

A presença do Espiritismo na cultura brasileira vem de longe. Pode-se dizer que dois conjuntos de idéias originalmente francesas - o Espiritismo e o positivismo, de onde herdamos o lema "Ordem e Progresso" - encontraram solo fértil no Brasil francólico da virada do século XIX para o XX. Nessa época, o jornalista João do Rio - um adepto do estilo de jornalismo literário que nos anos 60 viria a ser chamado de "new jornalism" pela geração de Tom Wolf e Gay Talese - registrou o frison em torno do Espiritismo em seu livro As Religiões do Rio. "Nas rodas mais elegantes, entre os sportsmen inteligentes, lavra o desespero das comunicações espíritas, como em Paris o automobilismo", escreveu João do Rio em um livro em 1904 que acaba de ser relançado no Brasil.


 

A doutrina de Kardec chegou ao Brasil logo depois de ter sido divulgada no Livro dos Espíritos, por meio de um grupo de franceses que moravam no Rio, então capital do Império. Foi rapidamente absorvida por uma elite. Com o tempo, começaram as primeiras repercussões de supostos eventos mediúnicos e tratamentos espirituais. A partir de 1890, um movimento liderado por médicos, apoiados por juristas, resultou em perseguição ao Espiritismo. "De certa forma, naquele momento a doutrina concorria com a medicina", diz a antropóloga Sandra Stohl, autora do livro Espiritismo à Brasileira, baseado em sua tese na Universidade de São Paulo.


 

Foi o médico Adolfo Bezerra de Menezes, na primeira metade do século XX, quem deslocou o foco da doutrina da ciência para a caridade. Essa ênfase se tornou uma característica marcante do espiritismo brasileiro. Estima-se que meio milhão de pessoas no país recebam ajuda de alguma entidade espírita. A própria Federação Espírita Brasileira iniciou um trabalho social em 1884, ano de sua fundação. Hoje ela dá assistência a aproximadamente mil famílias, além de manter uma creche para 800 crianças na cidade de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás.


 

As Casas André Luiz, de São Paulo, atendem pacientes com problemas de saúde mental - 630 em regime de alojamento e 800 em regime ambulatorial -. A assistência se estende à familia do doente, já que quase todos os pacientes são muito pobres. Divaldo Pereira Franco, aquele que também atua nos Estados Unidos, mantém em Salvador a Mansão do Caminho. Desde 1947, a entidade já prestou atendimento médico e odontológico a mais de 30 mil pessoas. Vivemos num mundo cada vez mais competitivo, em que muitas vezes a caridade é deixada em segundo plano. A época atual é também de recrudescimento de fundamentalismos que sufocam a liberdade religiosa. Num tempo assim, a acolhida cada vez maior  da mensagem espírita, fundamentada na tolerância e solidariedade, é um fato a comemorar.


 


 

RACIONALIDADE

"Seria difícil seguir uma religião que não estimula a discussão e o conhecimento", diz o engenheiro carioca Ricardo Danziger, de 47 anos. Sua mulher, Ana, e os filhos, Ricardo e Júlia, também são espíritas.

 

 

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" Preocupe-se mais com seu caráter,  do  que com sua reputação,  porque caráter é o  que  você realmente é, enquanto que reputação é apenas o que os outros pensam (ou dizem) que voce é". J. Wooden

 

 

A compreensão pede realidade,
tanto quanto a realidade pede compreensão.
Sejamos, pois, verdadeiros, mas sejamos bons.

Emmanuel

 

 

   


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