Palavras de Vida Eterna

18/05/2010 09:14

 

MARIA MARGARIDA FERREIRA MOREIRA - Genitora de nossa amiga ANDREÁ, colaboradora da Casa do Caminho - SANTANA
3m@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)

Palavras de Vida Eterna

A fala é um dom extraordinário que a vida nos outorgou como um bem de Deus. O ser humano se distingue dos demais viventes pela harmonia da fala e o modo mais claro de comunicação.
A palavra precede todos os movimentos nobres da vida. Tece os ideais do amor, estimula a parte divina, desdobra a civilização, os povos e as famílias.
Com isso, a força da conversa pode pairar em altitudes inconcebíveis para os que andam na Terra, constituindo instrumento da alma para grandes realizações.
As almas que se compreendem, em qualquer setor da atividade comum, apreciam as conversações afetuosas e sábias, permutam entre si os valores mais preciosos.
Podemos envolver a nossa palavra com a força de Deus e curar enfermos, consolar os tristes e dar rumo aos que estão perdidos, desfazer motins, paralisar guerras e criar ou despertar nas pessoas os mais louváveis ideais. Entretanto, sem a educação que corresponde às leis do nosso Criador, a nossa fala pode dar início, igualmente, a terríveis preocupações.
Foi conversando que Jesus legou ao mundo o Evangelho, com a sua palavra amorosa e esclarecedora.
O homem emprega grande parte da vida na atividade verbalista. Pena que a conversação de toda uma existência acuse diminuta parcela de proveito. Quase sempre, ninguém agradece pela riqueza do dia claro, porém, basta chover ou garoar para que se destile o veneno com palavras inconsequentes, como se fosse possível viver sem o Sol ou a chuva.
Muitas criaturas dormem tranquilas quando ouvem ensinos edificantes, todavia, revelam admirável controle de si mesmas quando o rádio ou emissora de televisão anuncia calamidades ou assuntos sensacionalistas, gastando horas e horas de comentários eloquentes. O olhar flameja quando o mal surge à vista. Poucos são os que conversam para ajudar. A maioria faz couro na hora da queixa, da crítica, da reprovação. Para estes, tudo está errado, nada serve, sua palavra é irritação permanente, suas observações são injustas e desanimadoras.
O Evangelho, contudo, nos adverte no capítulo VIII – item 8: “... ouvi e entendei: Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem, mas o que sai da boca, isso é que faz imundo o homem..., as coisas que saem da boca vêm do coração, e é do coração que saem as blasfêmias, os falsos testemunhos, os maus pensamentos”.
Se pudéssemos ver o que sai da boca de uma criatura quando está irada, quando a maledicência é a cogitação, quando a vingança se transforma em ódio, teríamos muito mais cuidado no falar e pensar, pois, de palavra em palavra, de ato em ato, podemos acender a luz ou estender a treva dentro de nós. Assim, é preferível o silêncio nos instantes de irritação.
Existem criaturas que desfiguram o dom sagrado da palavra: são os amantes da zombaria e dos falsos costumes.
A palavra é dádiva santa que revela aos ouvintes a qualidade do Espírito. Por nossa conversação, seremos conhecidos. Nossas frases são agentes de propaganda dos sentimentos que nos caracterizam; se respeitáveis, teremos a atenção de criaturas respeitáveis, se menos dignas, teremos a atenção desses menos dignos.
É indispensável que nos conservemos em guarda contra os acumuladores de energias destrutivas através da palavra, visto que, de modo geral, sua influência perniciosa invade quase todos os lugares do Planeta.
A posição atual do mundo reconhecerá que todas as situações difíceis se originam do poder verbalista mal-aplicado.
O início das hecatombes do planeta localiza-se, quase sempre, no mau uso da língua. Esta detém a centelha divina do verbo, mas o homem, de modo geral, costuma desviá-la de sua função edificante. Dessa forma, vemo-la à frente de quase todos os desvarios da humanidade sofredora em propósitos mesquinhos.
As atividades religiosas e científicas têm descoberto numerosos fatores de desequilíbrio no mundo, colaborando eficazmente por extinguir-lhe os focos essenciais. Ninguém contesta a influência destruidora do álcool, do câncer, da AIDS e das drogas em geral, arruinando coletividades, estragando a saúde e deprimindo o caráter do homem.
Todavia, não nos esqueçamos do falatório maligno que sempre forma em redor de nós imensa família de elementos enfermiços, aviltantes, devastadores, à feição de vermes letais que proliferam no silêncio e operam nas sombras. Poucos pensam nisso e apõe-se que a palavra desregrada é mãe da calúnia, da maledicência, do mexerico, da leviandade e da perturbação.
Por tudo isso é importante reforçar: a palavra é, verdadeiramente, vigoroso fio de sugestão. Com ela recebemos toda a espécie de informações no plano evolutivo em que nos encontramos na luta diária. Evitemos, portanto, que a nossa palavra sirva de agente entorpecedor nos semelhantes, porque haveremos de responder pelos desastres morais, materiais e espirituais que causamos.
Na área doméstica ou fora dela ouvimos todo tipo de discurso. Cabe a cada um a responsabilidade do registro da mensagem, pois cada registro traz consigo o impacto da ação, solucionando ou agravando problemas.
Por esse contexto, é imperioso saber falar e, mais importante, ouvir. Conforme ouvimos, semearemos treva ou luz.
A palavra bem colocada nos abre muitas glórias em nossa ascensão e destampa muita luz, seja através de um amigo, de uma carta, de uma página ou de um livro, que, na verdade, sempre procedem do Divino amigo, aclarando nossos caminhos. A mente equilibrada e amadurecida pode ler tudo, devendo analisar e usar o crivo da razão, da compreensão e da utilidade, sabendo que é preciso reter o bem, capaz de ajudar na edificação ou na cura dos outros.
Insuflemos, portanto, nos ouvidos alheios a palavra de tranquilidade e paz que ambicionamos e falemos, dos outros e para os outros, aquilo que desejamos que os outros falem de nós e para nós. Não nos esqueçamos que a expressão repulsiva é sempre uma brecha perigosa e infeliz que nos ameaça com desequilíbrio e perversão.
Nossa palavra, sem que percebamos, age em nós e em todos aqueles que nos escutam, sejam eles encarnados ou desencarnados. Pensemos então no bem quando não pudermos falar nele, lembrando sempre que a palavra digna infunde consolação e vida.
 
Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo VIII – 8, 2ª Edição, 1990, São Paulo.
XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Caminho, Verdade e Vida – Lições 105 – 25ª Edição, 2005, Rio de Janeiro.
XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Fonte Viva – Lição 59 – 20ª Edição, 1995, Rio de Janeiro.
XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Pão Nosso – Lição 162 – 24ª Edição, 2004, Rio de Janeiro.
XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Palavras de Vida Eterna, Lições 87, 96, 109 e 141, 33ª Edição, 2005, Uberaba - MG.


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