Na Pregação

25/05/2011 18:11

 

 

 

MARIA MARGARIDA F. MOREIRA
3m@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)

Na pregação


A missão de ensinar, na Terra, está bastante desmoralizada. Os que ensinam, quase sempre, se apresentam

de dois modos diferentes de agir. Mostram certas atitudes ao pregar e adotam outras nas atividades diárias. Há sempre vozes habilitadas a indicar o caminho. Entretanto, são raras as criaturas que o percorrem verdadeiramente. A mensagem de qualquer procedência, que nos induza ao bem e à verdade é sempre valiosa em seus fundamentos, principalmente se a usamos em nossa experiência.

No capítulo XXI, de O Evangelho segundo o Espiritismo, o item 8 diz:

“... e se confirmando as palavras lhes juntam os atos, então podereis dizer: Estes são, realmente, os enviados de Deus. Mas desconfiai das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e fariseus que pregam nas praças públicas vestidos de longas vestes. Desconfiai dos que pretendem estar na posse exclusiva e única da verdade”.

Na pregação genuinamente cristã, não é suficiente dizer onde está o divino Mestre. É imprescindível mostrá-Lo na exemplificação própria, pois muitas pessoas acreditam em teorias falaciosas e vãs, em perspectivas de liberdades sem obrigações.

Vivendo na matéria é impossível computar o doloroso preço ou determinar o tempo necessário ao resgate preciso da dívida. Muita lágrima tem custado a pregação de falsos discursos. A preocupação de proselitismo é sempre perigosa para os que se seduzem com a beleza sonora das palavras sem exemplos edificantes. Se a ação edificante fosse, pois, desnecessária, a mais humilde tese do bem deixaria de existir por ser inútil. É no Campo Cristão que reside a diferença entre a cultura e a prática, entre o saber e fazer. E em Jesus há a exemplificação máxima através de sacrifícios culminantes.

No Evangelho de Marcos, capítulo 1, versículo 38, temos:

“E Ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas para que eu ali pregue; porque para isso eu vim”.

Jesus é muito claro na sua afirmação: Ele veio ao mundo para pregar os ensinamentos do Pai. Pregou a verdade em todos os lugares, fez discurso de renovação, comentou a necessidade do amor para resolver os nossos problemas. Deu testemunho vivo de seu apostolado, desde a primeira manifestação sublime até a cruz. Por isso é que cumprir a palavra do Mestre em nós é programa divino, também, exortando nosso companheiro a viver de conformidade com as leis do criador, indicando no trabalho o roteiro de evolução e aperfeiçoamento.

O discípulo sincero sabe que dizer é fácil, porém o difícil é revelar os propósitos do Cristo na nossa própria existência. Quando Jesus disse “Ide e pregai” significa a pregação pelo exemplo para que os outros aprendam como é preciso fazer, porque a palavra bem orientada é um sopro de luz na consciência de quem ouve. Mas o exemplo é a caridade de Deus que nunca se desfaz.

O interesse de mostrar aos outros os prodígios nas pregações pode despertar muitas pessoas para o reino da esperança. Não obstante, a vivência dia a dia dos preceitos divinos garante a tranquilidade nos corações. O entusiasmo de querer comprovar através das escrituras a verdadeira identidade do Cristo pode Lhe render muitas ovelhas no Seu rebanho. Entretanto, a autoeducação em nome desse mesmo Cristo, para que Ele viva eternamente nas criaturas, vale mais por ser força de libertação daqueles amarrados pela ignorância. Portanto, nunca é demais comentar a importância e o caráter sagrado das nossas pregações.

“Ensinemos, sim, o caminho da redenção; tracemos programas salvadores onde estivermos; façamos brilhar a luz do Evangelho do Cristo em nossa boca ou em nossa frase escrita, porém, permaneçamos convencidos de que, se esses clarões não descortinam as nossas boas obras, estaremos entre a expectação e a desconfiança, porque palavra combina com ação.”[1]

A atualidade reclama ensinos edificantes, mas nada compreenderá sem demonstrações práticas, mesmo porque a realização mais difícil do homem, na esfera carnal, é viver e morrer fiel ao eterno bem. Se nos propomos a cooperar com o Evangelho, não basta falar, aconselhar e informar. É fundamental ir e ensinar através do exemplo.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 2ª Edição, 1990, São Paulo.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Caminho, Verdade e Vida, 25ª Edição, 2005, Rio de Janeiro.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Fonte Viva, 20ª Edição, 1995, Rio de Janeiro.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Pão Nosso, 24ª Edição, 2004, Rio de Janeiro.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Vinha de Luz, 23ª Edição, 2005, Rio de Janeiro.


[1] XAVIER, Francisco C., pelo Espírito de Emmanuel. Vinha de Luz, Lição 159, pág. 334 – 23ª Edição, 2005, Rio de Janeiro.



 


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