Entrevista Luiz Carlos Boaventura Cordeiro de Souza

22/01/2011 09:39

Entrevista com Luiz Carlos Boaventura Cordeiro de Souza....por Louren Junior

Curriculo


Coordenador dos Trabalhos de Desobsessão , das reuniões realzadas às 2as. Feiras, com inicio às 19:30 h, no Centro Espírita Casa do Caminho - SANTANA

 

 

Luiz Carlos, como foi o seu contato com a Doutrina Espírita?

 

Iniciei a minha caminhada na DE por um apelo mental: eu com Deus. Num certo dia, anoitecendo, recentemente casado, em minhas contemplações, buscava entender o que eu poderia fazer, porque sentia que tinha muito mais a conhecer, a ser feito, a se dar, e porquê, porquê? A resposta não tardou. Toca o telefone de minha residência, para minha surpresa, do outro lado da linha, ouvi o convite que me fez mudar a minha trajetória religiosa, pois, era católico - de ir a igreja todos os domingos – era as Casas André Luiz. Desde este dia, não estou mais indagando “o que sou, de onde eu vim e para onde vou”. O Espiritismo ressoou em minha alma despertando-me a realidade contida em mim. Reconheço: sou uma formiguinha. Coloque uma formiga para caminhar em uma longa estrada e entenderás a trajetória de conhecimento e doação que ainda tenho que trilhar. Sei que o único combustível a suprir a minha jornada, nesta e tantas outras vidas, é o amor; o amor que serve, que se perdoa e perdoa, que nos faz humilde, bom e justo. O amor é Deus e sem Deus não chegarei a nenhum lugar. Por isso, desnecessário dizer as poucas coisas que eu faço e diga-se: quase nada -, mas o que eu posso fazer sob a Graça do Senhor Jesus.

 

Naturalmente, antes de responder às perguntas que sucedem ao intróito, convém lembrar da oportunidade, na verdade, do aprendizado que a Casa do Caminho me propôs para coordenar o trabalho de Desobsessão, cuja tarefa espero ser digno de obter tal incumbência. Melhor definição não seria dizer coordenador, porque, como aprendiz não posso ter o título desta proficiência e responsabilidade, embora deva ter responsabilidade, mas reconhecer da capacidade muito maior de mãos fraternas e seguras que conduzem os trabalhos, sem sombra de dúvidas nossos irmãos e abnegados servidores do Bem com Jesus: a Equipe Espiritual.

 

1. Luis Carlos, pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito, que lhe seja dedicado fazer mal ao seu próximo? 

 

A questão primeira, respondo consoante a afirmação dos Espíritos a Kardec quando fez está indagação na questão 551, do Livro dos Espíritos, no tema denominado Poder oculto. Talismãs. Feiticeiros: “ Não, Deus não o permitiria.” Cabe, alguns breves comentários, sem fugir do contexto Kardeciano a que atine a questão, embora ela se dilata a outros comportamentos, considerando existir homens de natureza má que simpatizam com os maus Espíritos.

Somos Espíritos habitantes do universo, Uns estão na carne outros fora dela, nossa realidade. Portanto, natural a relação de uma para com a outra condição. A diferença está no comportamento. O comportamento apresenta resultado, conseqüências e sobre estas conseqüências é que tornamos devedores ou credores e por lei natural se colherá aquilo que plantou. Por isso a intervenção dos Espíritos está em relação com as afinidades, independe se está no corpo ou fora dele. Salvo as exceções, porque Deus na sua infinita misericórdia e onisciência não se faz de rogado no tocante a impiedade e má-fé desarrazoadas. A influência exercida fora das Leis da Natureza Deus não a permitiria (Q.525ª-LE). Há tudo equilíbrio no “Reino dos Céus”. Enfim, associada à suscitada pergunta, analisemos a resposta da Q. 476, do mesmo livro, sem desprezar o seu teor mesmo que não esteja intrínseca a tal indagação, mas não esquecer mesmo o próximo estando sujeito aos maus propósitos dos que pactuam, não significa que não possa livrar-se deles .

 

2. Luis Carlos, é comum nos depararmos com pessoas assustadas que foram informadas de que estão “amarradas” por ato desses entendimentos. Há muita ingenuidade, malandragem ou simplesmente uma forma “mercantilizada”.

 

Gostaria, permissa vênia, de enfocar o sentido da pergunta sob uma outra ótica. Se determinadas pessoas foram informadas sobre tal fato, porque foram em busca de suas inquietações fora de si. Embora, é compreensível buscar as respostas daquilo que não se sabe definir, mas sente, e se sente é porque há sintonia, mesmo sendo de força que refoge a sua capacidade de entendimento. No tocante, porém, às pessoas que fazem mau uso das suas faculdades mediúnicas, ou de suas potencialidades extrafísicas, para obter vantagem ou fazem disso profissão, não se comprometem só com as Leis naturais, também contraria o que ensina "O Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo XXVI, “ Daí de Graça o que de Graça recebestes”. Sem esta conduta evangélica se comprometem moralmente e tal exploração se associa com as forças desequilibradas. Merece destacar a condição sobre aqueles que são lançadas as bênçãos ou maldição, da boa e má-fé. Sobre o tema não podemos desconsiderar as atenuantes e agravantes, cujas atitudes deve se levar em consideração o conhecimento das coisas, das ocorrências dos fatos. Como é cediço, o acaso não existe e sobre isso devemos estudar a questão 557 do Livro dos Espíritos, cuja questão acredito estar inserida em esta pergunta quanto a sua primeira parte, pelo que merece salientar referente “a benção e maldição jamais poderão desviar a Providência do caminho da justiça; ela só fere o maldito se ele for mau, e só cobre com sua proteção àquele que a merece”.

Luiz Carlos e Lourenço Rendesi Junor durante processo da Eleição

Casa do caminho - Santana - 2009

 

3. Luis Carlos, não obstante, toda obsessão envolve influência de entidades espirituais. Sejam invocadas por médiuns ou tenham a iniciativa de Espíritos malfazejos. Não produzem males na vítima?

 

Inicio respondendo pela parte final da questão. Atribuir no processo obsessivo quem é vítima e algoz é condição secundária, ou melhor, a atenção devida dispensada deve ser o estímulo do arrependimento e perdão, pois, na conta das vivências do Espírito merece considerar a Lei de causa e efeito e de ação e reação, diante desta compreensão merece todo o cuidado ao dizer quem é vítima ou perseguidor, justamente pela razão da simbiose estimulada consciente ou inconscientemente. Assim considero como resposta da questão, o mal está naqueles que o sintoniza.

No capítulo XIV, do livro A Gênese, precisamente em seu subtema Obsessões e possessões, encontramos o seguinte esclarecimento: “ Assim como as moléstias são o resultado das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão é sempre a decorrência de uma imperfeição moral, que dá entrada a um mau Espírito.A uma causa física, opõe-se uma causa física; a uma causa moral, será preciso contrapor uma causa moral...” Assim, em complemento ao parágrafo acima, colaciono a oportuna afirmativa, da mesma literatura: “ A obsessão é quase sempre o fato de uma vingança exercida por um Espírito, e que mais freqüentemente tem sua origem nas relações que o obsedado teve com ele, em uma existência precedente.” Portanto, não só produz males mas, também, desenvolve maior desajuste a aquele que está sendo influenciado quando não há reforma de atitude. Não se deve esquecer, que a conexão mental e seus reflexos de um Espírito a um encarnado, forças que se assimilam, definem a mediunidade. 

 

4. Luis Carlos, digamos que um Espírito obsede um Pai induzindo seu filho ao vício da bebida. Não estará fazendo mal ao seu filho?

 

É umas das características da obsessão o constrangimento seja físico ou moral e sob este domínio é possível forçar alguém a fazer o que não deseja. Todavia, não devemos esquecer-nos dos esclarecimentos acima. Deus não permite o mal a aquele a quem não deu causa ou deva ser responsabilizado por desajuste de outrem, mesmo que seja de um ente muito próximo, salvo se a família está comprometida com o resgate doloroso da ação de um obsessor comum a todos eles. Porém, alguns comentários se fazem necessário à questão, haja vista a situação imposta. Quem sofre a ação da influência obsessiva merece o devido cuidado, principalmente se estiver sob o jugo constrangido por uma força irresistível, pois, no caso do filho caso venha a obedecer ao apelo se fará por suas tendências e não pela indução. A correspondência fluídica pode ocorrer, todavia, nada se consegue se o padrão vibratório não sintoniza com tal natureza, pois, o que habilita a ação perniciosa é a ressonância de seus efeitos, ou seja, caracteriza afinidade. Por isso deve –se oferecer resistência. Sugiro a leitura da Questão 237 e seguintes, do Livro dos Médiuns, do capítulo “Da Obsessão” c.c. o livro II, capítulo IX, do Livro dos Espíritos.

 

Grupo de Trabalhadores das reuniões de Desobsessão das 2as. Feiras

do Centro Espírita Casa do Caminho - Santana

 

5. Luis Carlos, o perigo da “obsessão” não é uma coisa deplorável para o médium, não está aí um inconveniente, pois não é ela que a provoca?

 

Em outras palavras quereria dizer se não é isso uma prova da inconveniência das comunicações espíritas. Veja bem, a situação assinalada deve seguir uma ordem lógica, aliás, importante consignar de conformidade a respostas dos Espíritos à Kardec, na questão 244, LM, nos adverte no sentido de que “ não tendo sido os médiuns nem os espíritas que criaram o Espiritismo, mas sim os Espíritos que deram origem aos espíritas e aos médiuns, e sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, é evidente que sempre exerceram sua influência benéfica ou perniciosa sobre a Humanidade.” Como o assunto merece estudo e cautela remeto a esta questão a quem interessar, uma vez que ali há minudência sobre o assunto.

 

6. Luis Carlos, a “obsessão” é uma espécie de psicopatologia de natureza espiritual? Interfere em nossos pensamentos e atos?

 

 Certamente, pois a parasitose obsessiva demorada traz inevitáveis transtornos e males a se refletirem no corpo, cujo diagnóstico pela ciência médica desconhece de que a sutileza de “a obsessão pode ser confundida com alguma dessas manifestações psicopatológicas, tais a neurose, a psicose, e, às vezes, a esquizofrenia, justamente pela perturbação mental e a interferência espiritual deletéria”, como assevera o Espírito Vianna de Carvalho, através do médium Divaldo Pereira Franco. Agora, tratando-se de influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos, ocorre muito mais do que imaginais, pois freqüentemente são eles que vos dirigem (LE, q459), neste caso não se deve ignorar a sua influência seja ela benéfica ou maléfica. Importante, também anotar sobre as suas características, observando que não só os Espíritos atuam sobre os encarnados, estes também se sentem constrangidos entre os próprios, sem esquecer, ademais, da influência dos encarnados sobre os desencarnados. O livro dos Médiuns nos define que a natureza da obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar e discorre sobre as suas características fazendo-as distinção do grau de constrangimento e dos efeitos dessa natureza. Aliás, bom sempre lembrar que “o pensamento é mensagem endereçada”(Emmanuel)

 

 

7. Luis Carlos, a doutrina Espírita tem uma terapia preventiva, como também curadora da “obsessão”. Será o amor o antídoto da “obsessão?”.

 

Jesus havia dito que o amor cobre a multidão dos pecados(o amor é o remédio cujo mal não segrega). O exemplo no bem é o melhor lenitivo e salutar atitude e, como a Doutrina Espírita apresenta as Leis de Deus sendo de amor, justiça e caridade, as quais revelam à humanidade, o campo santo de trabalho e renovação sempre em busca de alçar vôos celestes, não há mais agradável e seguro caminho a testemunhar. Evangelho é legado de amor, pelas dadivosas mãos de Jesus. Eurípides Barsanulfo ensina “através do Evangelho, entretanto, encontramos o antídoto eficiente contra a sua proliferação: o amor.”

 

8. Luis Carlos, por que sofremos “obsessões” e o que fazer para se livrar das mesmas?

 

Sem ser redundante nas afirmativas ventiladas nesse contexto, remeto o leitor à terceira questão supra, haja vista tratar da ocorrência obsessiva. No tocante o meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons(q.254,LM). A propósito, de forma segura e fundamentada na codificação espírita, cuja obra não se pode deixar de citar para todas as respostas aqui refletidas, a questão 469 do Livro dos Espíritos, sem exclusão de outras (questões) inerentes alhures da obra Kardeciana, tem a proposta de como neutralizar as influências dos maus Espíritos com a “prática do bem e pondo toda a vossa confiança em Deus, repelireis a influências dos Espíritos inferiores e destruireis o império que queiram ter sobre vós....”

 

Luiz Carlos, deixe algumas considerações, que gostaria chegar aos seus colegas de Doutrina.

 

Dar novo passo à mente pelo estudo que eleve e consagrar-se em paz ao serviço incessante é a fórmula ideal para libertar-se de todas as algemas, pois que, na aquisição de bênçãos para o espírito e no auxílio espontâneo à vida que nos cerca, refletiremos sempre a Esfera Superior, avançando, por fim, da cegueira mental para a divina luz da Divina Visão. Este é o conceito que, destas palavras de Emmanuel, proponho aos irmãos do ideal espírita, dilatando-se a irmãos outros que se interessam ou simpatizam com a veneranda Doutrina dos Espíritos, sem esquecer primeiro do processo profilático íntimo, cuja devoção detida na luz do Evangelho de Jesus através da ótica Espírita, único roteiro que transcendem as almas para o caminho da Luz. Trabalho árduo, muitas existências sucederão, porém, o solo do Espírito estará adubado com fermento do amor e do bem se ofertarmos as migalhas de nossos esforços ao próximo. Deus nos abençoe.

 

         SP, 05/01/09                                                                                                                           por Louren Júnior

 

 
 

 

 


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